Saída de Maurílio Fontes empobrece a comunicação


Não se pode ver com tranquilidade a saída de Maurílio Fontes da Secretaria de Comunicação. Certamente as pessoas não dimensionam devidamente a extensão dessa perda. Maurílio era o que tínhamos de melhor para ocupar esse cargo, justamente por ser híper-qualificado e não ser um estrangeiro. Dificilmente veremos esses atributos reunidos em uma única pessoa em tão elevado patamar.

O jornalista está mais amadurecido para lidar com seus humores, o que ressalta suas qualidades éticas e técnicas. Maurílio sabe como poucos o que é comunicação e tem grande apreço pelo bom (verdadeiro) jornalismo. Na Secom, ele era o timoneiro para guiar a cidade nesse salutar caminho, como sempre fez em toda a sua trajetória profissional. Faço esses elogios (merecidos) e a prova de que são isentos e verdadeiros é que não me beneficiei de um único centavo da Prefeitura, durante sua administração.

Fomos amigos de infância e juventude, trabalhamos juntos até seguirmos caminhos próprios, mas nunca divergentes. Aprendi muito estando ao seu lado, há mais de 20 anos, quando fui "o repórter" da primeira equipe assessoria de imprensa do município (região) organizada e conduzida por ele.

Eu escrevo bem desde de menino, mas meu texto cresceu muito com esse convívio, assim como com a parceria breve com Rui Albuquerque, antes, e com Vanderlei Soares, mais demorada, depois. Trabalhamos também com Belmiro Deusdete na 93 FM e atuamos no jornalismo impresso em meados dos anos 90. Muito aprendizado com o amigo rigoroso e generoso ao mesmo tempo.

Maurílio é um profissional tão capacitado que pode se dar ao luxo de deixar uma secretaria de governo, com seu polpudo salário, sem dor de cabeça. Não quero mais questionar o competência de Joaquim Neto, ao olhos do interiorano (provinciano), fica parecendo perseguição e tem a conotação de ataque pessoal. Porém deixar escapar um megaprofissional, assim, mostra fragilidade de gestão significativa, a não ser que a decisão tenha sido de caráter estritamente pessoal, o que duvido. A elegância sempre impõe essa narrativa conciliatória, mas tudo é possível...

A sensação que fica é que vamos para copa sem Neymar. E olha que já houve equívoco parecido quando não se aproveitou Vanderley Soares na gestão.

Agora, quem poderia ocupar essa lacuna: o próprio Vanderley, Belmiro Deusdete, Noêmia Alves, Midiam Bispo, Chico Reis, José Gomes, Rui Albuquerque, Caio Pimenta ou apostar na qualidade acadêmica de Jorge Ubiratan? Eu ficaria entre Vanderley, Rui e Caio Pimenta. Chico e Gomes estão em posição divergente da administração municipal, se precisaria de uma boa costura aí.

Caio Pimenta é um nome interessante, muito inteligente, já com boa experiência e com evidente espírito público. Vem de boa escola com os saudosos Haroldo Azi e Paulo Ott. Vanderley seria também perfeito. Rui e Belmiro diminuíram o ritmo de produção, mas são grandes opções. Ou, senão, que Maurílio reflita nesse final de semana e volte atrás em sua decisão - falo isso de consciência limpa, pois seria o último dos últimos a ser favorecido (se tanto) com essa atitude ou contra-atitude.


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