Delegados da PF exigem que Paulo Gonet se declare impedido após abertura de apuração sobre relatório do caso Master


Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal prepara nota pública com críticas duras à iniciativa do procurador-geral da República

A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), entidade que representa mais de 2,3 mil delegados da corporação, vai divulgar neste sábado uma nota pública para expressar “indignação e preocupação” com a decisão de Paulo Gonet de instaurar um procedimento para investigar o relatório produzido pela PF no âmbito do caso Master. A entidade pede que o procurador-geral da República “se declare impedido e se abstenha de praticar atos, seja como fiscal da lei, seja como titular do controle externo, nos procedimentos relacionados aos fatos em que é citado”.

Contexto: o relatório que motivou a reação de Gonet

O estopim da controvérsia foi um relatório encomendado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master, na semana passada. O documento foi assinado por quatro delegados e três agentes da PF e apontou a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Além disso, o relatório citou nominalmente o próprio Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O conteúdo foi tornado público na última terça-feira, também por decisão do relator.

A resposta de Gonet ao STF

Na noite de sexta-feira, Gonet respondeu a um pedido de esclarecimentos feito por Edson Fachin, presidente do STF. Na comunicação, o procurador-geral informou ter aberto uma apuração sobre “possível ocorrência de ordem ou interferência externa” na produção do documento da PF. O instrumento utilizado foi o Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial, e o objetivo declarado é verificar se eventual interferência maculou o conteúdo do relatório.

ADPF pede arquivamento e investigação ampla

Além de cobrar que Gonet se afaste dos procedimentos em que é citado, a ADPF defende que a apuração instaurada seja arquivada por considerá-la “via inadequada ao questionamento de ato do STF”. A entidade também reivindica que os fatos revelados pela operação Compliance Zero sejam investigados em toda a sua extensão, “sem seletividade quanto às autoridades envolvidas”.

Delegados agiram sob ordem judicial, sustenta a associação

Na nota, a entidade enfatiza que os profissionais envolvidos na elaboração do documento não tiveram escolha senão obedecer à determinação judicial:

“O documento questionado foi produzido por determinação do Ministro então relator do feito no Supremo Tribunal Federal. Os Delegados e servidores que dele participaram cumpriram ordem judicial, nos estritos limites nela fixados, sem margem para juízo próprio de conveniência sobre o que lhes foi determinado pelo juízo competente”.

Crítica ao uso do controle externo da atividade policial

A ADPF ressalta que o controle externo da atividade policial, previsto na Constituição e regulamentado por uma lei de 1993, é uma garantia de legalidade e de respeito aos direitos fundamentais. Segundo a entidade, esse mecanismo não representa relação de hierarquia nem poder disciplinar sobre delegados e agentes, tampouco funciona como instância de revisão de decisões judiciais.

Do Contra Fatos
Foto: Rosinei Coutinho/STF/19-12-2025

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