A manhã desta sexta-feira ,24, marcou um novo capítulo para a educação no município com a aula inaugural da Escola do Campo de Alagoinhas, localizada às margens da BR-101, ao lado da Polícia Rodoviária Federal. O momento foi pensado para acolher estudantes do G4 ao 5º ano, promovendo integração, adaptação ao espaço e apresentação da proposta pedagógica baseada no ensino em tempo integral.
Logo nas primeiras horas do dia, o ambiente escolar foi tomado por cores, brincadeiras e expectativas. A recepção incluiu café da manhã, atividades lúdicas com pintura facial, caminhada pedagógica para reconhecimento dos espaços e momentos de socialização entre alunos e professores. A programação foi estruturada para tornar o primeiro contato das crianças com a nova escola mais leve e acolhedor.
A secretária de Educação de Alagoinhas celebra o momento. “A Escola do Campo é a materialização do nosso compromisso com a equidade. Estamos garantindo que os nossos estudantes tenham acesso a um ensino integral de excelência, respeitando suas origens e transformando realidades. É a educação de qualidade chegando com força no campo e feita para o campo”, afirma.
Para a diretora pedagógica da secretaria de educação, Queila Oliveira, o dia simboliza mais do que o início das aulas. “Hoje é o momento em que recebemos nossos estudantes, que são a razão de todo esse trabalho. Preparamos cada detalhe para garantir um acolhimento de qualidade e assegurar o direito de aprender”, destaca.
Segundo ela, a escola inicia com um período de adaptação de 20 dias, no qual os estudantes frequentarão apenas o turno da manhã, antes da implantação completa do regime integral.
A proposta de ensino em tempo integral tem sido um dos principais diferenciais da unidade e também o ponto de maior impacto na rotina das famílias. Para muitos responsáveis, a mudança representa mais segurança, organização do dia a dia e ampliação das oportunidades de aprendizagem para as crianças.
Dona Rogéria Silva, avó de uma estudante, relata que optou pela transferência da rede particular para a pública justamente pela proposta integral. “Lugar de criança é na escola. Para mim, o trabalho aqui vai ser ótimo. Ela fica ocupada, aprendendo, e eu consigo cumprir minha rotina com mais tranquilidade”, diz.
A percepção é compartilhada por outros responsáveis, ainda que alguns tenham enfrentado resistência inicial. A dona de casa Sheila Silva conta que mudou de opinião após conhecer a estrutura da escola onde seu filho vai estudar. “No começo, eu não gostei, mas quando vi como funciona, achei melhor. Vai ajudar no desenvolvimento dele, porque ele vai passar o dia aprendendo e convivendo com outras crianças”.
Já Irlani Dantas destaca o desafio emocional enfrentado no processo de decisão, especialmente pela distância da escola em relação à comunidade onde mora. “Eu tinha muito medo por causa da BR, mas quando a gente vê o que está sendo oferecido, muda de pensamento. Meu filho está animado, e isso também tranquiliza a gente”, afirma. Ela também acredita que a convivência ampliada pode trazer benefícios importantes para o comportamento do filho, que já apresentou sinais de ansiedade.
Além do impacto na rotina familiar, educadores ressaltam o papel transformador do ensino integral na formação dos estudantes. A professora Gláucia de Jesus Santos vê na proposta uma oportunidade de desenvolvimento mais amplo. “A educação em tempo integral vai além da sala de aula; envolve cultura, esporte, interação social. É uma formação completa, que prepara o estudante para a vida”, explica.












