Gestor afirma na CPI que Daniel Vorcaro era “testa de ferro” em esquema que levou à liquidação do Banco Master

Gestor afirma na CPI que Daniel Vorcaro era “testa de ferro” em esquema que levou à liquidação do Banco Master

O gestor de fundos Vladimir Timerman afirmou nesta quarta-feira (18), durante depoimento à CPI do Crime Organizado, que o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, não seria o verdadeiro responsável pelo esquema que levou à liquidação da instituição financeira. Segundo ele, haveria outros nomes por trás da operação, incluindo o empresário Nelson Tanure.

De acordo com Timerman, Vorcaro teria atuado apenas como uma figura de fachada. “Era um pau-mandado dos verdadeiros donos do banco”, declarou o gestor, acrescentando que Tanure estaria entre os nomes no topo da hierarquia do suposto esquema. Para o depoente, Vorcaro foi colocado para representar o banco publicamente e fazer conexões políticas, enquanto decisões mais relevantes seriam tomadas por outros envolvidos.

Denúncias e ameaças

Durante o depoimento, Timerman também criticou a atuação de órgãos de fiscalização, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central do Brasil e a Polícia Federal do Brasil, alegando demora na apuração das denúncias.

Segundo ele, as primeiras informações sobre possíveis irregularidades foram encaminhadas às autoridades ainda em 2019, após investigações próprias motivadas por preocupações com seus investimentos. A Polícia Federal só teria avançado nas apurações anos depois, com a deflagração das operações Operação Compliance Zero e Operação Carbono Oculto, realizadas em 2025 para investigar as supostas fraudes.

Timerman afirmou ainda ter enfrentado retaliações após tornar públicas as denúncias. De acordo com ele, foram mais de 30 ações judiciais, além de ameaças de morte e até pedidos de prisão.

Suposta manipulação de ativos

O gestor explicou aos senadores que o esquema investigado envolveria a inflação artificial de ativos financeiros. Segundo ele, patrimônios de instituições eram superestimados para gerar lucros fictícios nos balanços.

Como exemplo, citou a valorização exagerada de ativos sem valor do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), posteriormente incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Com balanços aparentemente sólidos, as instituições conseguiriam atrair mais investidores e captar recursos por meio de Certificado de Depósito Bancário (CDB). Esses recursos, segundo Timerman, seriam usados para pagar aplicações anteriores e manter o esquema em funcionamento.

Impacto para investidores

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, classificou a rede de crimes investigada como complexa e alertou para os impactos diretos sobre a população. Ele destacou que muitos investidores aplicaram valores superiores ao limite de cobertura de R$ 250 mil garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Segundo o senador, embora os números pareçam distantes da realidade da maioria das pessoas, existem milhares — possivelmente milhões — de vítimas em todo o país.

Timerman também alertou que a necessidade de recomposição do FGC pelos bancos tradicionais pode ter efeitos indiretos na economia, tornando o crédito mais caro e dificultando empréstimos para a população.

Convocação adiada

A sessão da CPI também previa o depoimento do ex-servidor do Banco Central do Brasil Paulo Sérgio Neves de Souza, suspeito de envolvimento em manipulação de mercado. No entanto, ele não compareceu à convocação.

O presidente da comissão, senador Fabiano Contarato, criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, que tornou facultativo o comparecimento de Souza à CPI.

Contarato questionou a efetividade das comissões parlamentares de inquérito diante de decisões que impedem a convocação obrigatória de testemunhas e investigados ou a realização de quebras de sigilo.

Por Comunicação em Ação | com informações da Agência Senado
Foto:Edilson Rodrigues/Agência Senado

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