O presidente da França, Emmanuel Macron, adotou um tom firme nesta terça-feira ao afirmar que a Europa não cederá a pressões nem aceitará intimidações, em resposta direta às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas comerciais elevadas caso o continente europeu não permita que Washington assuma o controle da Groenlândia.
Durante discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Macron destacou que a França e a União Europeia não aceitarão “passivamente a lei do mais forte”, alertando que qualquer concessão desse tipo representaria uma forma de “vassalização” política e econômica. Para o presidente francês, a defesa da soberania territorial e do Estado de direito permanece inegociável, mesmo em um cenário internacional que ele classificou como uma transição para um “mundo sem regras”.
Enquanto outros líderes europeus optaram por uma postura mais cautelosa para evitar o agravamento das tensões transatlânticas, Macron decidiu confrontar diretamente a retórica de Washington. “Preferimos o respeito aos valentões. E preferimos o Estado de Direito à brutalidade”, declarou, em uma das passagens mais contundentes de seu pronunciamento.
O discurso ocorreu poucos dias após Trump ameaçar impor tarifas severas sobre produtos franceses, incluindo vinhos e champanhes, além de divulgar mensagens privadas trocadas com Macron, atitude considerada incomum e contrária às práticas tradicionais da diplomacia internacional. No sábado anterior, o presidente norte-americano já havia anunciado a intenção de aplicar uma nova rodada de tarifas a partir de 1º de fevereiro contra aliados europeus, condicionando a suspensão das medidas à autorização para que os Estados Unidos adquiram a Groenlândia. A proposta foi amplamente criticada por países da União Europeia, que a classificaram como uma forma de chantagem.
Segundo Macron, o “acúmulo interminável” de tarifas ameaçadas por Washington é “fundamentalmente inaceitável”, especialmente quando utilizado como instrumento de pressão sobre a soberania territorial de outros países. Ele também sinalizou que a União Europeia está disposta a responder com sanções comerciais severas, caso as ameaças se concretizem.
Diante da escalada do conflito, líderes da União Europeia decidiram convocar uma cúpula de emergência em Bruxelas, marcada para a noite de quinta-feira, com foco específico na situação envolvendo a Groenlândia. Entre as opções em análise está a reativação de tarifas sobre cerca de 93 bilhões de euros em produtos norte-americanos, que haviam sido suspensas após um acordo comercial firmado com os Estados Unidos no verão passado. Caso não haja avanço diplomático, essas tarifas poderão entrar em vigor já em 6 de fevereiro.
O episódio evidencia o aumento das tensões entre Europa e Estados Unidos e reforça o debate sobre o papel da União Europeia em um cenário global marcado por disputas comerciais, pressões geopolíticas e questionamentos sobre o respeito às normas internacionais.
Por Comunicação em Ação | com informações da Reuter
Foto:Reuter/Denis Balibouse
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