China desafia EUA com seu primeiro super porta-aviões

China desafia EUA com seu primeiro super porta-aviões
Foto: Reprodução / CCTV

Com grande fanfarra, a China lançou ao mar nesta sexta (17) o seu primeiro super porta-aviões, o Fujian. O navio mais poderoso já construído fora dos Estados Unidos simboliza a assertividade do regime comunista no contexto da Guerra Fria 2.0 contra Washington e a turbulência do conflito na Ucrânia.
 

É o terceiro navio do tipo operado por Pequim, e o primeiro de categoria semelhante à dos gigantes americanos, embora haja poucos detalhes técnicos disponíveis.
 

Os chineses são agora o único país do mundo com mais de dois porta-aviões, além dos EUA e sua incomparável frota de 11 belonaves que marcam a projeção global de poder de Washington desde o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. Hoje, dez nações têm esse tipo de arma.
 

Pequim projeta uma frota com seis ou sete grupos de ataque de porta-aviões, segundo especialistas. Um quarto modelo já está em construção, talvez de propulsão nuclear, algo que apenas EUA e França dominam. Faixas sobre o Fujian falavam na China rumo "a uma Marinha de águas azuis", ou seja, com capacidade de operar distante de seus portos.
 

Estrategicamente, a prioridade de Pequim é dominar seu entono estratégico imediato, como o estreito de Taiwan e o mar do Sul da China. Como sua economia depende de rotas marítimas, a ideia de projetar força no Índico, onde elas se concentram, e talvez contestar o poderio americano no Pacífico, está na mesa.
 

Não por acaso, Washington lançou a nova versão da Guerra Fria em 2017. Uma guerra entre ambos é especulada, mas parece pouco provável, embora gatilhos como uma eventual tomada de Taiwan estejam à mão.
 

A Guerra da Ucrânia também mudou o cenário geopolítico. Os chineses testam a reação ocidental ao conflito, com as sanções, como antessala do que ocorreria consigo. E Xi Jinping mantêm o apoio firme a Vladimir Putin, sugerindo uma divisão mundial em blocos.
 

Para tanto, força militar é tão importante quanto a econômica. Os EUA perceberam a assertividade chineses sob Xi, à frente da ditadura comunista desde 2012, e ativaram uma rede de aliados no Indo-Pacífico.
 

Do ponto de vista de poder naval, de todo modo, a China estará muito distante dos EUA por muito tempo. Mas não abre mão dos porta-aviões, demonstrando que o temor de analistas que esses mastodontes aquáticos se tornassem obsoletos com o avanço da tecnologia de mísseis hipersônicos e outras armas não é compartilhado pelas potências. Há também o fator prestígio: o Reino Unido, com menor peso militar, possui por exemplo dois modelos avançados em ação.
 

A embarcação ainda vai demorar para entrar em operação, mas a expectativa é de que isso demore menos do que no caso de seus dois antecessores, o Liaoning (seis anos de testes) e o Shandong (cerca de um ano).
 

Enquanto os dois modelos em operação são derivações de projetos soviéticos, um adaptado e outro feito na China, o Fujian foi todo desenhado localmente e tem características iguais apenas à do mais avançado modelo americano, a nova geração Gerald Ford.
 

A principal é o deque de lançamento de aviões, que é plano como nos navios ocidentais e não ostenta a rampa auxiliar das versões soviéticas. Assim com os novos americanos, as aeronaves são assistidas por catapultas eletromagnéticas, mais eficientes do que as usuais movidas a vapor em alta pressão.
 

Pouco se sabe sobre o Fujian, batizado em homenagem a uma província do sudeste chinês --a imprensa chinesa especulava que o navio tirar seu nome de outra, Jiangsu. Duas estruturas com frases patrióticas ocultavam seu deque.
 

Estima-se que desloque de 80 mil toneladas a 100 mil toneladas, e não as 60 mil toneladas aventadas por analistas locais, e imagens de satélite sugerem que ele tem 320 metros de comprimento --ante 337 metros dos Gerald Ford. Deverá ser capaz de carregar mais de 60 aeronaves.
 

O lançamento teve hino nacional, hasteamento de bandeira, jatos de fumaça colorida e de água nas docas de Jiangnan, em Xangai. Ele foi retardado pela pandemia de Covid-19 e os sucessivos lockdowns chineses, e só neste ano a data esperada foi adiada duas vezes.


Igor Gielow | Folhapress

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