Março Mulher: O tema “Violência política contra as mulheres” provocou reflexões e discussões em Seminário promovido pela Prefeitura de Alagoinhas

 

Foto: Roberto Fonseca

A violência política contra a mulher foi o tema central de um Seminário promovido, na noite de terça-feira (29), pela Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), em conjunto com o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher e a Procuradoria Especial da Mulher. O evento, que aconteceu no auditório da Faculdade Santíssimo Sacramento e também foi transmitido pela internet, atende à Lei Nº 2.540/2021, que institui “O Dia Marielle Franco de Enfrentamento à Violência  Política Contra Mulheres”.

A violência política contra as mulheres viola direitos e impõem barreiras que dificultam a ocupação dos espaços de poder, seja na  disputa por cargos eletivos durante a campanha, nos mandados e depois deles. Fundamentada no patriarcardo e no sexismo, essa violência acontece por meio de ataques verbais, fake news, ameaças e na consumação do feminicídio, como no caso  Mariele Franco.

A palestra que incitou a plateia ao debate, formada prioritariamente por estudantes de Direito, versou sobre o tema “Violência Política contra a Mulher: Aspectos Jurídicos e Enfrentamentos” e foi ministrada pela advogada, especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça, servidora da Superintendência de Prevenção à Violência/SSP, Flora Maria Brito Pereira. Ela apresentou um panorama do tema, a partir da dominação do patriarcado, que se reflete nas tentativas de silenciar as mulheres na política. Dentre os principais instrumentos de dominação, ela citou a divisão social do trabalho, a expropriação dos corpos das mulheres, a violência contra a mulher e as restrições à participação política da mulher.

Foto: Roberto Fonseca

“Nós fomos criadas para estarmos em espaços privados, então a mulher que luta pelos seus direitos gera um descrédito na sociedade, que é machista. O patriarcado é esse poder que os homens exercem sobre as mulheres e esse medo de que elas possam ocupar os seus supostos lugares”, afirmou Flora.

A mesa solene foi formada pela subsecretária da SEMAS Havana Matos (representando o secretário Rui Brito), o Diretor Acadêmico da Faculdade Santíssimo Sacramento Fabrício Faro,  o Coordenador do curso de Direito Leandro Sanson, o Coordenador do curso de Psicologia Moacir Lira, o juiz de Direito Luciano Guimarães, a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher  Renata Fortaleza e as vereadoras Juci Cardoso e Luma Menezes.

“O Conselho é um movimento que se fortalece a cada dia. Quero convidar todas as mulheres para vivenciarem e participarem da sua história, para que possamos perceber o que as vereadoras passam”, disse a presidente Renata Fortaleza. “A violência contra a mulher não tem limites, ela alcança todos os espaços. Não é só física, mas também psicológica. Se a gente não pensar sobre isso, não vamos conseguir mudar as estatísticas”.

A vereadora Juci Cardoso ressaltou a simbologia do evento e citou as lutas travadas pela bancada feminina. “Essa não é uma demanda e um problema só das mulheres, mas da sociedade. É uma construção cultural que deve ser combatida no campo da Educação”.

“Reforço as palavras de Juci, trazendo a necessidade e a importância de darmos visibilidade e acompanhar a política da nossa cidade. Todas as pautas que existem na sociedade são refletidas localmente”, declarou a vereadora Luma Oliveira. “Muitas vezes, essas violências podem ser tão sutis que se tornam imperceptíveis. Não parece ser violência, mas é violência sim!”, finalizou Luma, fazendo um chamado para que os homens sejam parceiros nessa luta.

A íntegra do Seminário pode ser assistida AQUI.

Foto: Roberto Fonseca


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