TRE-BA derruba candidatura do deputado Binho Galinha por unanimidade


O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) declarou como indeferida a candidatura à reeleição do deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (Avante). A decisão ocorreu na tarde desta segunda-feira (14), por unanimidade, após uma ação pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

No início de setembro, o MPE pediu ao TRE o indeferimento do registro de candidatura de Kléber Cristian Escolano de Almeida, o Binho Galinha, filiado ao Avante. Nas alegações finais apresentadas no processo, a Procuradoria Regional Eleitoral afirmou que elementos reunidos em ações penais indicam que ele teria liderado uma organização criminosa com características de milícia armada.

O pedido foi assinado pelo procurador regional eleitoral Cláudio Gusmão e tem como base investigações da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público da Bahia. As apurações deram origem às operações El Patrón, Hybris e Estado Anômico.

Segundo o documento, Binho Galinha é acusado de comandar um grupo com atuação em Feira de Santana e cidades vizinhas, envolvido, conforme as denúncias, com exploração do jogo do bicho, agiotagem, extorsão, receptação de cargas e lavagem de dinheiro. A Procuradoria também cita a existência de um núcleo armado, que, de acordo com as investigações, seria formado por policiais militares e atuaria na segurança do grupo e em cobranças mediante ameaças.

A manifestação destaca ainda uma condenação em ação penal relacionada a armas apreendidas em imóveis vinculados ao deputado. Conforme o texto, ele foi condenado pelos crimes de posse irregular e posse de arma de fogo de uso restrito, incluindo armamentos com numeração adulterada ou suprimida. As penas somaram 10 anos e seis meses de detenção e 26 anos e três meses de reclusão, em regime inicial fechado. O documento não informa se há recursos pendentes nesse processo.

Para o MP Eleitoral, o caso se enquadra em entendimento firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo o qual a vedação constitucional ao uso de organizações paramilitares por partidos pode impedir candidaturas ligadas a grupos criminosos dessa natureza, mesmo sem condenação criminal definitiva.

Das operações El Patrón à prisão preventiva: entenda o caso

Binho Galinha é investigado desde a Operação El Patrón, deflagrada em dezembro de 2023, que apurou a atuação de uma organização criminosa em Feira de Santana e municípios vizinhos.
 

Segundo o Ministério Público da Bahia, o grupo é acusado de explorar o jogo do bicho e de praticar lavagem de dinheiro, agiotagem, extorsão e receptação qualificada. O parlamentar também foi condenado, em julho deste ano, a 36 anos e nove meses de prisão por crimes relacionados à posse ilegal de armas e munições. MP-BA

Em outubro de 2025, ele voltou a ser alvo da Operação Estado Anômico, desdobramento das investigações. A ação apontou a suposta continuidade das atividades do grupo, mesmo após as primeiras prisões e medidas judiciais. Binho Galinha não foi encontrado no dia da operação, mas se entregou às autoridades dois dias depois e teve a prisão preventiva cumprida. Ele segue preso enquanto responde aos processos. MP-BA.

Do Correio*
Foto:Agência Alba

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