O presidente que preside o país com uma das maiores taxas de juros do mundo reclama que o crédito não chega ao pobre. A ironia se escreve sozinha.
Existe um tipo de discurso que só funciona quando o ouvinte não presta atenção nos detalhes. Lula domina essa arte como poucos.
Nesta terça-feira, 28, durante visita a um hospital federal no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a atacar o mercado financeiro. Em tom de palanque — embora tenha feito a ressalva protocolar de que só será oficializado candidato à reeleição na convenção do PT, no próximo domingo —, Lula disparou: “Parece que o sistema financeiro só gosta de dar financiamento para rico.”
Segundo o petista, a burocracia para a concessão de crédito no Brasil é “um verdadeiro inferno”. E completou: “A gente dá o salário como garantia, a gente cria fundo garantidor e, mesmo assim, o pobre é tratado como se não prestasse.”
A frase é forte. O sentimento é real. Mas há um detalhe.
Quem preside o país que mantém uma das maiores taxas de juros reais do planeta? Quem nomeia o ministro da Fazenda, que indica os diretores do Banco Central, que define a política monetária que encarece o crédito?
O mesmo homem que reclama do preço do dinheiro.
O vilão conveniente
Lula fala como se o sistema financeiro operasse num vácuo, alheio às decisões do governo que ele chefia. Como se a Selic — que sob sua gestão atingiu patamares estratosféricos — não fosse o principal fator que encarece o crédito, especialmente para quem mais precisa dele.
O pobre que não consegue financiamento não é vítima de um banqueiro malvado sentado numa cadeira giratória. É vítima de um ambiente econômico em que o governo gasta mais do que arrecada, pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter juros nas alturas para segurar o caos que a própria política fiscal cria.
Mas isso não cabe num discurso de campanha.
A frase é forte. O sentimento é real. Mas há um detalhe.
Quem preside o país que mantém uma das maiores taxas de juros reais do planeta? Quem nomeia o ministro da Fazenda, que indica os diretores do Banco Central, que define a política monetária que encarece o crédito?
O mesmo homem que reclama do preço do dinheiro.
O vilão conveniente
Lula fala como se o sistema financeiro operasse num vácuo, alheio às decisões do governo que ele chefia. Como se a Selic — que sob sua gestão atingiu patamares estratosféricos — não fosse o principal fator que encarece o crédito, especialmente para quem mais precisa dele.
O pobre que não consegue financiamento não é vítima de um banqueiro malvado sentado numa cadeira giratória. É vítima de um ambiente econômico em que o governo gasta mais do que arrecada, pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter juros nas alturas para segurar o caos que a própria política fiscal cria.
Mas isso não cabe num discurso de campanha.
Do Contra Fatos
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
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