Washington acusa governo Lula de exagero e afirma que Brasil anunciou acordos inexistentes


Uma sequência de episódios diplomáticos entre Brasil e Estados Unidos culminou numa crise aberta entre os dois países. Integrantes do governo norte-americano classificaram como “exagero” os anúncios feitos pelo governo Lula sobre supostas parcerias bilaterais — e, segundo o Metrópoles, a palavra carrega um peso muito maior do que aparenta. Na avaliação de Washington, o governo brasileiro teria mentido sobre acordos que jamais foram firmados, utilizando a imagem institucional americana para construir uma narrativa politicamente favorável ao PT às vésperas de 2026.

O primeiro dos dois episódios contestados ocorreu em 10 de abril. Representantes dos EUA participaram de um encontro com o ministro da Fazenda Dario Durigan, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues e o secretário da Receita Federal Robinson Barreirinhas. A pauta girava em torno da expansão da fiscalização remota do Porto de Santos.

Na mesa, discutiu-se uma carta de intenções — que, contudo, não chegou a ser assinada. Encerrada a reunião, os três representantes brasileiros convocaram coletiva de imprensa e comunicaram a “formalização de uma cooperação com os EUA para o combate de armas e drogas”. O presidente Lula repercutiu o anúncio em suas redes sociais. Do lado americano, porém, nenhuma autoridade reconheceu que qualquer acordo novo tivesse sido celebrado naquela conversa.

Caso Ramagem: o anúncio que irritou Washington

O segundo episódio — considerado ainda mais grave sob o prisma diplomático — aconteceu em 13 de abril. O governo brasileiro divulgou a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem na Flórida, apresentando-a como resultado de “cooperação internacional” entre a Polícia Federal e o ICE.

A reação em Washington foi imediata. O governo americano não havia autorizado nenhuma divulgação e não identificava na detenção qualquer operação coordenada com o Brasil. Após o episódio, autoridades norte-americanas passaram a investigar as circunstâncias reais do caso. A conclusão a que chegaram confirmou a versão que aliados de Ramagem defendiam desde o início: a detenção decorreu de um problema de visto, cujo prazo de permanência nos EUA havia expirado. Ramagem foi liberado no dia 15 de abril e segue em território americano.

Do Folha Destra
Foto:Divulgação

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