Quando a arrecadação bate recorde, a economia respira — ou o Estado aperta mais?
O governo celebrou: R$ 222,1 bilhões arrecadados em fevereiro de 2026. Recorde em 32 anos para o mês. Alta real de 5,7% sobre fevereiro do ano passado. No primeiro bimestre, R$ 550,1 bilhões. Outro recorde. Os números impressionam. E é justamente aí que começa o problema.
Porque recorde de arrecadação não é, por si só, medalha de boa gestão. Pode ser também sinal de um Estado mais pesado, mais faminto, mais eficiente em retirar da sociedade o que ela produz. E, no caso brasileiro, convém desconfiar do entusiasmo oficial.
A Receita aponta os motores do crescimento: contribuição previdenciária, PIS/Cofins, IRRF sobre rendimentos de capital e IOF. Traduzindo do burocratês: folha, consumo, investimento e crédito. Ou seja, o governo arrecadou mais em cima de quem trabalha, de quem consome, de quem aplica e de quem financia a própria vida. Nada exatamente revolucionário. Apenas o velho método brasileiro de fazer caixa sem reformar o Estado.
Mas há um detalhe.
Entre os destaques está o IOF, com R$ 8,7 bilhões e salto de 35,7%. Não por acaso, a própria Receita admite o efeito do aumento do imposto no ano passado. Eis a mágica de Brasília: eleva-se a carga, depois vende-se o resultado como prova de vigor econômico. Como se tirar mais de operações financeiras fosse sinônimo automático de prosperidade. Não é. Muitas vezes é apenas um jeito mais discreto de punir o crédito e encarecer a vida de empresas e famílias.
O IRRF sobre rendimentos de capital também avançou fortemente, chegando a R$ 11,6 bilhões, alta de 19,4%, impulsionado pelos títulos de renda fixa. O que isso mostra? Em parte, um mercado ainda atraído por juros e aplicações conservadoras. Em parte, mais mordida estatal sobre a renda financeira. O governo agradece. O investidor paga. E depois ouvimos discursos inflamados sobre incentivo ao crescimento e à formação de poupança.
Do Contra Fatos
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