Evento ecumênico promovido pela Prefeitura de Alagoinhas combate a Intolerância Religiosa

 

Foto: Roberto Fonseca

Em respeito ao Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado na data 09 de dezembro, a Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo (SECET), realizou, na manhã desta quarta-feira (15), um encontro ecumênico no Mercado do Artesão. Um pastor evangélico, um estudioso da Doutrina Espírita, representantes de Terreiro e o presidente da comissão de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo da OAB/Bahia dialogaram sobre o respeito à diversidade de culto, mostrando à sociedade que todas as religiões são legítimas.

O evento contou com a presença do núcleo IFERADA (de Educação Quilombola) e a equipe de ações socioeducativas da Secretaria da Educação (SEDUC), além das presidentes das associações de moradores de Cangula e Oiteiro.

Foto: Roberto Fonseca

O pastor Reginaldo Barros reafirmou o compromisso com a liberdade de culto e citou o departamento de liberdade religiosa da Igreja Adventista que, segundo ele, tem uma atuação forte em diversos países. “A intolerância religiosa deve ser cada vez mais debatida em um ambiente amigável e respeitoso. O diálogo interreligioso tem produzido frutos maravilhosos”.

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Representado a Doutrina Espírita, o sr. Raimundo Sales falou sobre ultrapassar os conceitos de tolerância e intolerância. “O que supera isso é o amor”, disse, explicando que o espírito está em evolução e cada um tem uma compreensão de mundo. “A relação com Deus ocorre na medida do agrado de cada um. Não existe o certo ou o errado, mas o que é conveniente”.

Foto: Roberto Fonseca

Representando os filhos do Ilê Axé Obatalá, João Ramos, que também é educador, pontuou que “a intolerância é inadmissível! Ser professor e de candomblé é ser julgado. Para Deus não existe diferença. A diferença vem nas atitudes de cada um. A inclusão tem que ocorrer e a intolerância tem que cair de vez!”.

Foto: Roberto Fonseca

O presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial e Combate ao Racismo da OAB/Bahia, Dr. Cleber Almeida, é candomblecista, tendo o cargo de ogã. Ele ressaltou que a intolerância religiosa é um crime, “pois a Constituição fala da livre expressão da prática religiosa, portanto, pode ser punida”. De acordo com ele, está incutida na mente de muitas pessoas uma aversão ao candomblé, “não gostam nem de citar o nome, por falta de conhecimento e ignorância”. Ele lembrou que os orixás são guardiães do ori (cabeça), mas que Deus é um só, Olorum.

Foto: Roberto Fonseca

A celebração foi finalizada ao som do berimbau do Mestre Nildo, acompanhado pelo capoeirista Alisson, no pandeiro. “Essa foi uma manhã especial, ouvimos as palavras e sentimos que, realmente, quando quem professa a religião tem a disposição de se abrir para Deus, seja Ele quem for, entendemos que cada um pode cultuá-Lo como bem quiser. Para nós é muito importante saber que a OAB tem essa preocupação, resultado da luta dos advogados negros”, disse a secretária de Cultura, Esporte e Turismo Iraci Gama.

Foto: Roberto Fonseca

A professora Iraci destacou a variedade de segmentos que participaram da atividade e frisou a importância da SEDUC “estar assumindo conosco essa temática. Nós sabemos que é através da Educação que iremos tocar no coração, no sentimento e no conhecimento das crianças, dos adolescentes e dos jovens para mudarmos essa linha de conduta, que é completamente inaceitável. Não podemos coadunar com essa discriminação, com esse preconceito e essa raiva por causa de uma religião diferente!”.

Fotos: Roberto Fonseca

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