por Marcos Guedes | Folhapress

Fotos: César Greco/ Ag. Palmeiras e Max Haack/ Ag. Haack/ BN
Corinthians e Palmeiras, que se enfrentam neste domingo (4), às 19h, em Itaquera, viviam fases bem diferentes no momento em que o calendário do futebol brasileiro foi pausado para a disputa da Copa América.
Fábio Carille era cobrado pela produção inconsistente e pelas dificuldades ofensivas alvinegras. Luiz Felipe Scolari via elogios à defesa alviverde e tinha de responder se o título do Brasileiro estava bem encaminhado.
Essas realidades mudaram desde que a competição foi retomada, há menos de um mês. O Palmeiras perdeu a consistência na zaga, indo de líder disparado e grande favorito ao título nacional a segundo colocado. A equipe ainda foi eliminada da Copa do Brasil pelo Internacional e chegou a sofrer na Taça Libertadores diante do frágil Godoy Cruz. Nesse período, o Corinthians cresceu na tabela e apresentou um futebol mais convincente.
Foram nove gols marcados e três sofridos nas cinco partidas disputadas desde o retorno às competições. Antes criticado por se limitar a um jogo reativo, baseado em contra-ataques, o time tem controlado mais a bola. Na vitória por 3 a 1 sobre o Fortaleza, por exemplo, a equipe teve 56,6% da posse, de acordo com o Footstats, mesmo visitante.
"Estou muito feliz pelo desempenho coletivo e pela produção individual também. A gente tem atacado bastante, isso aconteceu mesmo contra o CSA, que foi um resultado magro [1 a 0]. Essa é a nossa busca, estou muito feliz", disse, dando crédito a Pedrinho pelo crescimento. "Quando eu cobrava, era porque sabia do potencial. Ele tem qualidade e está assumindo a responsabilidade."
No momento da parada para a Copa América, a diferença era de 13 pontos. Agora, o time alvinegro se vê com a chance de ficar apenas dois pontos atrás do rival. Para isso, precisa vencer o confronto direto marcado para este domingo (4), no estádio de Itaquera, e ganhar também do Goiás na próxima quarta (7), no mesmo local - em jogo atrasado da sétima rodada.
Para impedir a aproximação do adversário e brigar pela ponta, que lhe foi tomada pelo Santos, o Palmeiras terá de mostrar recuperação após uma sequência difícil. Até fazer 4 a 0 no Godoy Cruz, na última terça (31), acumulava cinco partidas seguidas sem vitória. No Brasileiro, o time levou apenas dois pontos dos últimos nove possíveis.
Também são ilustrativos os números apresentados pela defesa, que tinha sido vazada apenas nove vezes em 33 jogos até a parada, com uma média impressionante de 0,27 gol sofrido por partida. Desde o retorno, a equipe tomou sete gols em sete confrontos, e nem está incluída na conta a derrota por 2 a 1 para o Guarani em um amistoso.
Toda a sequência gerou questionamentos e protestos por parte da torcida. Jogadores como Deyverson e Dudu foram alvos de cobranças, dirigidas também a Scolari. Além do desempenho, provocou irritação a reação do treinador à eliminação na Copa do Brasil diante do Internacional: "Ninguém morreu".
A situação piorou em seguida, e, quando a série sem triunfos chegou a cinco jogos, torcedores subiram o tom dos protestos, com gritos como "time de pipoca". A sequência negativa foi interrompida na vitória sobre o Godoy Cruz, porém o clima ainda está longe de ameno no ex-líder do Brasileiro.
Tudo, porém, pode mudar no Dérbi. O histórico do clássico entre os arquirrivais mostra que ele pode alterar rumos, interrompendo ou iniciando crises.
"Estamos em duas competições e brigando com reais possibilidades de ganhar o título. Só temos que trabalhar e melhorar nosso futebol", concordou o volante Bruno Henrique.
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